terça-feira, 27 de abril de 2010

Resumo de A Origem da Desigualdade Entre os Homens

ROUSSEAU, Jean-Jacques. A origem da desigualdade entre os homens. Editora Escala – São Paulo/SP, 2007. 2ª edição.

O homem nos é apresentado como bom por natureza, de forma que os costumes degeneram-no à medida que os povos desenvolvem complexas formas de organização social. É a partir do momento que resolve viver em sociedade que as desigualdades aparecem. Parte-se da indagação a respeito da verdadeira natureza humana, de forma que somos conduzidos a perguntar o que é o homem natural, só podendo ser alcançada a resposta a esta pergunta se for possível retirar o conhecimento cultural do homem civilizado. Para conhecer o homem natural seria preciso imaginar o homem desprovido de razão, guiado predominantemente por impulsos naturais. Chega-se a conclusão de que, mesmo antes do uso da razão, a vida humana é orientada por dois princípios básicos: o sentimento de auto-preservação e o de comiseração. São analisadas as desigualdades existentes entre os homens por dois aspectos: a desigualdade física e a desigualdade política ou moral. A desigualdade física, por ser natural, não submeteu um homem a outro, uma vez que mesmo que o mais forte pudesse submeter o mais fraco ao seu alvedrio, este teria dificuldade de impedi-lo de fugir e passaria a viver numa vida de insegurança que tornaria sua vida mais dificultosa depois de ter o mais fraco sobre o seu jugo do que antes disso. O homem natural é descrito como homem solitário provido apenas de razão potencial. Nesta situação, tende a se proteger, mas não comete, de modo geral, mal a outrem, devido ao sentimento de comiseração. Sem sentimento de aprovisionamento, o homem natural é robusto e tem a capacidade de desenvolver diversas habilidades, tendo sempre a capacidade de aperfeiçoá-las. Desta habilidade, denominada perfectibilidade, surgem gradativamente as alterações que vão fazer com que o homem deixe de viver isoladamente e passe a viver em sociedade, ocasião em que surgem as desigualdades políticas entre os homens. Em momentos em que se apresentavam dificuldades no meio, o homem era obrigado a superá-las, nestas superações ele adquiria conhecimentos empíricos. Surgem abrigos artificiais e atividades como a caça e a pesca. Os abrigos fazem com que os humanos se fixem com mais frequência e que desenvolvam laços familiares. Nestas circunstâncias, a língua gradativamente se desenvolve, permitindo que os conhecimentos adquiridos sejam transmitidos com mais facilidade. As famílias passam a viver mais próximas umas das outras para saciar suas necessidades, surgindo as primeiras comunidades. Surge a ideia de posse, sendo esta relacionada ao trabalho de produzir e conseqüentemente ao indivíduo produtor. Surgem a metalurgia e a agricultura, esta última cria relação mais íntima entre o cultivador e a terra cultivada, de forma que este tem a posse da terra para plantar e o fazendo por anos consecutivos passa a ter o solo sob o seu domínio não mais temporariamente, surgindo assim a propriedade privada. Aparecem os ricos e os pobres e as atividades produtivas passam a ser divididas. As desigualdades sociais vão sendo acentuadas, passando a existir por parte dos que tem grandes posses o interesse de as manter, bem como aumentar seu poder, apropriando-se de bens alheios; por sua vez os desprovidos de bens têm o interesse de se apropriar deles para satisfazer a suas necessidades. É dentro desta situação caótica que os homens resolveram estabelecer leis para se proteger; uns para protegerem suas propriedades e outros para se proteger das arbitrariedades dos mais poderosos, neste momento efetiva-se o surgimento da sociedade, bem como a sedimentação das desigualdades. Tendo em vista que o modelo inicial de instituição foi voluntário, ele não poderia ter sido despótico, já que o homem é provido do sentimento natural de liberdade. Sendo assim, as primeiras formas de governo, que deveriam ter surgido de forma eletiva, poderiam ser monárquicas, aristocráticas ou democráticas, dependendo de quantas pessoas eram consideradas aptas a governar.
O desvirtuamento dessas formas de governo pela ambição de alguns é que deu origem a estados autoritários e despóticos, onde surgem os escravos, pessoas que estariam totalmente desvinculadas do poder político. Era impossível o não desenvolvimento do desvirtuamento das instituições, tendo em vista o fato de o início do estado já estar marcado pelo interesse pessoal, intrinsecamente relacionado ao desejo de posse, de forma que as instituições não seriam mais que uma forma de os mais poderosos protegerem seus bens e continuar a obtê-los, agora protegidos por um sistema de normas. A saída do estado natural para a sociedade também não poderia ser impedida, já que o homem é acompanhado pela perfectibilidade.
Conclui-se que dos acontecimentos relacionados à perfectibilidade surgem as desigualdades entre os homens. O surgimento da propriedade divide os homens entre ricos e pobres, o surgimento de governos divide-os entre governantes (poderosos) e governados (fracos) e o surgimento de estados despóticos divide os homens entre senhores e escravos.

Palavras-chave: Homem bom por natureza. Auto-preservação. Comiseração. Perfectibilidade. Desigualdades sociais. Surgimento de leis. Sedimentação das desigualdades.

Raul Teixeira Cavalcanti - paideiense

Um comentário:

  1. Pode se dizer que Rousseau ao escrever referido livro, parece que era nos dias atuais.

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